25 de maio de 2009

O faxineiro dos Beatles

O faxineiro dos Beatles

Com a visão além do alcance para os possíveis eventos festivos do final de semana, com alguma possibilidade de invasão gratuita e, quiçá algo mais, deparei-me com dois concertos da Pitty para o domingo. Um pela tarde na Lona Cultural de Anchieta e um à noite na Lona de Vista Alegre, pertinho de casa, podendo voltar a pé após as celebrações roqueiras, que não iriam até tão tarde assim, já que eles precisavam ir embora para algum lugar. Invadimos o primeiro rock, eu e David, baixista do Jason, meu conjunto musical naqueles longínquos dias difíceis de inverno. A cantora encontrava-se no seu camarim, mas os músicos estavam do lado de fora, apesar de longe do alcance de seus jovens seguidores. Consegui uma cerveja, duas, três e ficamos ali na social. Mais tarde a band leader saiu e estava com dois detalhes importantes para o dia. Mais bonita e mais simpática que nunca. Cumprimentamo-nos e o show começou à vera. David estava generoso e continuamos bebendo várias latas a suas custas. Quem te viu quem te vê. Os planos incluíam entrar na van dos artistas para conseguirmos chegar ao segundo show sem ser de transporte coletivo, tarefa totalmente dispensável. Pedido feito, pedido aceito, e entramos lá no cantinho. Na hora de sair, me teletransportei para o filme "Febre da Juventude", em que fãs tentam ver os Beatles na Nova York dos anos 60 no programa de Ed Sullivan (será?) e tentam ganhar convites para tentar chegar perto. Esse filme é obrigatório. E os rostos dos Beatles nunca aparecem, como se fossem a professora do Charlie Brown ou a empregada da casa do Tom e Jerry. O motorista começou a dirigir e a multidão cercou o carro, balançando como no DVD dos Ramones na Argentina, sacudindo tudo. Claro que era só uma carona e que para eles era só mais um final de semana de rock stars, mas achei o máximo.

- Porra, David, nós somos os faxineiros dos Beatles.

Viramos mais uma latinha e fomos até o outro show, onde o povo começou a gritar e tirar fotos quando a van entrou no estacionamento. É capaz de eu estar em algum destes registros, tipo aquele coroa que aparece em todas as reportagens da TV Globo de terno lá no fundo. Ele fica sabendo, sabe-se lá como, e vai atrás para aparecer. Mais tarde o negócio pegou fogo, o show foi fantástico e entrei no meio da roda com a juventude portando minha sandália dupé, um genérico das havaianas, que ganhei quando comprei camisas demais em uma loja do Saara para pintar e vender.

- O senhor tem direito a um chinelo.

- Hã?

- O senhor tem direito a um chinelo.

- Ah, tá.

Acabei conseguindo uma carona depois para casa e levando uma gatinha doente que achei no camarim. Não estava em poder das minhas faculdades mentais e no dia seguinte soube que poderia ter pego uma doença não muito saudável. Tomei uma decisão ruim e influenciado pela doutora, mandamos a gatinha para o céu dos gatos. Envolvia muita coisa e outras pessoas teriam que ajudar em minha ausência, que aconteceria em poucos dias. Era complexo e o tratamento levaria mais de um ano. E claro que esse assunto, não tinha a ver com o assunto inicial, e não sei, mas algo me diz que não foi a melhor decisão.

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Máxima do dia: nem todo mundo pode ser o paul e o john. Alguns são o George, outros o Ringo. E pior, muitos e muitos são Pete Best. Pra mim se eu chegar a Ringo tá de ótimo tamanho.

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