Aquele coroa do “De Volta para o Futuro” inventou a máquina de teletransporte, que era bem legal, mas gerava uns transtornos como casar com a sua própria mãe. De qualquer modo era apenas um filme. Ainda. No Circo Voador três tios de meia-idade fizeram isso acontecer. Tipo em outro filme, “A Mosca”, só que novamente sem efeitos colaterais danosos. Somente olhos marejados, pele arrepiada e garganta doendo no dia seguinte. Em 2009, Rédson e seu irmão Pierre completam três décadas de punk rock sob a alcunha de Cólera. Como descrever esse dia? Circo com 2.000 pessoas numa quarta-feira, como no começo dos anos 90, ou final dos 80, que tinha Cólera e Plebe Rude toda hora. Que tinha Ratos e Volkana dois dias seguidos porque um só não dava conta. Sepultura lançando Beneath The Remains. Dias históricos que voltaram por pelo menos mais uma noite.
Três da manhã, como era antigamente, e os irmãos entram com Val no Baixo, de volta ao grupo depois de sei lá, dez anos fora, substituído (muito bem) pelo goleiro da seleção brasileira de hóquei sobre o gelo, o também carismático Fábio. Se não fosse pelos cabelos brancos de Pierre e pelo barrigão do Val, era a mesma formação de 92, de 85, de 87. Os mesmos três caras descendo a mão. Val e Rédson pulavam feito os meninos que ainda são e Pierre é o que mais evoluiu como músico. Rédson sempre foi um grande guitarrista e compositor.
Me peguei, como muita gente lá, emocionado e berrando os clássicos do conjunto. Histeria, Subúrbio Geral, Caos Mental Geral, Medo (gravada pela Plebe), Adolescente, Pela Paz em Todo o Mundo. Até velhas picuinhas ficaram para trás. Antigos desafetos, Gordo foi chamado ao palco e cantou Quanto Vale a Liberdade muito bem. Pelo seu estado, parecia que não conseguiria. Como é bom estar errado. Obrigado, jovens. “Somos vivos, mas nascemos sempre que erramos...”
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2 comentários:
é bom saber q o colera detona,nunca vi eles ao vivo,mas imagino q seja a definição perfeita do temo punk rock
Porra, Cólera parece que não envelhece nunca...
Lembro quando minha irmã chegou em casa com o disco "Pela paz em todo mundo". Foi um dos primeiros de "rock de verdade" que eu escutava nos meus 11, 12 anos...
Lembro também que decorei esse disco de ponta a ponta, assim como "Rocket to Russia" dos Ramones, que apareceu na mesma época.
Acho que eu também entraria no coro e, talvez, choraria...
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